Não sei explicar como foi isso, eu sinceramente não estava participando pessoalmente daquele drama. Gosto muito dela, até torcia pra que as coisas dessem certo e se saíssem da melhor forma, mas sinceramente não houve um dia em que eu ficasse realmente triste por esse assunto.
Foi quando do nada, muito antes do que eu (acredito que quase todos) esperasse ser o desfecho, me chega de rompante a maravilhosa notícia. Fui acometida por uma emoção completamente nova, nunca me senti dessa forma. A notícia me fez chorar compulsivamente por exatos 5 minutos. Essa forma fulgas de sentir foi muito estranha pra mim. Normalmente eu teria ficado felicíssima, ou talvez até nem sentisse nada, mas sentir muito e por pouquíssimo tempo desse jeito…
É nessas horas que eu tenho certeza de que ainda estou viva, e que não sei exatamente quem sou. Eu não sou um boneco ou personagem de ficção, que de uma forma ou de outra dá pra conhecer e esperar reações. Daí que eu percebo que realmente vale a pena viver um dia de cada vez.
Durante crises como essa, todo mundo se divide. Há os que se apegam à fé, os que a descobrem, e os que viram as costas pra ela, sentindo-se injustiçados. Eu infelizmente não consegui me enquadrar em nenhuma dessas categorias, perdi a ilusão de colocar a culpa em alguma coisa divina e desconhecida faz algum tempo. Isso torna tudo mais difícil, porque a sensação de inutilidade não pode ser substituída pela oração. As esperanças são depositadas única e simplesmente na ciência, ou na reação do próprio organismo da nossa querida paciente.
Talvez por isso o alívio, por saber que só dá pra saber que vai dar certo quando realmente dá. De repente eu percebi que a diferença entre o nascer e o pôr-do-sol é uma questão de lados.
De que lado você começa a se divertir?