Passar a vida inteira maldizendo as pessoas que trabalham só pelo dinheiro e não têm consciência do seu papel social é fácil. Difícil mesmo é se formar, passar um ano sem arrumar um trabalho descente, receber uma proposta polpuda pra defender interesses duvidosos e recusar.
Fazer a linha “eu não vou me vender” e passar o resto da vida se sustentando de migalhas em um empreguinho ridículo onde todos os anos de estudo são jogados no lixo te torna uma pessoa mais útil pro mundo? Ou só um pouco menos covarde?
É fácil ser rebelde quando todo o contexto te leva a isso. O romantismo do movimento estudantil te dá razões para continuar a faculdade em alguns momentos difíceis, onde pouca coisa faz sentido isoladamente. Mas é ele mesmo quem vai te deixar consciente o suficiente pra não conseguir dormir ao encarar o mundo real, pós diploma.
É apavorante perceber que os sonhos acabam tão cedo. Os velhos hipócritas, que pareciam tão rapidamente conformados, têm me parecido mais humanos a cada dia. Não que eles estejam mudando, o mundo anda cada vez mais patético, mas talvez eu esteja ficando parecida com eles (Argh!).