Sempre deixei as pessoas um pouco chocadas quando me posicionei ao longo dos ultimos anos em relação a movimentos de voluntariado.
Campanhas como “amigos da escola” sempre me soaram meio como charlatanismo. Explico:
Se nós analisarmos a forma de abordagem e de desenvolvimento desse tipo de campanha, podemos facilmente constatar que nenhuma dessas ações resolvem os problemas sociais. Elas se apresentam como paleativos imediatos que acabam alimentando o sistema cruel em que vivemos (vai dizer que você não sabia que o 3º setor é fruto do capitalismo?).
Levando-se em conta que a distribuição de renda no nosso país é absurdamente desigual e que há muito mais gente com necessidades do que com sobras para serem dadas como esmola, a conta não poderia fechar nunca. Dar um prato de comida ou uma roupa velha só vai servir pra você se sentir melhor e dormir em paz enquanto aquela pessoa que foi ajudada continua exatamente na mesma situação. Isso sem falar nas pessoas que dão dinheiro àquelas criaturas peçonhentas que tem a capacidade de usar crianças pra sensibilizar os outros. Isso é crime!
Aí você me diz “Não costumo dar o peixe, acho mais importante ensinar a pescar.” OK. De que forma você faz isso?
Já sei! Você dedica o tempo que tem livre, “que não vai lhe fazer falta”, e dá aulas a algumas crianças. Certo! Aí digamos que você tenha sucesso em sua empreitada e forme um profissional. Chega lá na frente, o seu pupilo vai procurar emprego e o que ele vai encontrar? o desemprego! Na vaga que deveria haver um funcionário remunerado está um “amiguinho da escola”. Uma daquelas pessoas que ao invés de dedicar o tempo livre para se reciclarem, para melhorar a qualidade do trabalho no Brasil, estão trabalhando de graça para o governo que já recolhe uma fortuna em impostos. E aí? o ciclo se fecha e as coisas continuam como estão, nada melhora apesar de todo o seu esforço.
Sempre achei que a única solução seria uma nova ordem econômica, o fim do capitalismo cruel que alimenta tanta desigualdade. Com o governo empenhado em resolver os problemas seria mais fácil reunir toda essa boa vontade da população e transformar essas ações em algo mais efetivo…