Eles nem se conheciam, mas se falavam às vezes por conta do trabalho. Os dois moravam muito longe um do outro, e isso é normal nas relações de trabalho hoje em dia.
De repente o encontro. Ela nem notou, mas ele diz que se surpreendeu “Nossa!”, disse ele.
Pouquissimos dias depois, algumas gentilezas a mais e ela caiu. Ela sempre cai nessas conversas doces e bobas.
Ela ficou encantada, esqueceu-se da vida por alguns instantes, e gostou disso. Em seguida ele sumiu. Sem entender, ela esperou algum sinal.
Quando a distância voltou a se estabelecer entre os dois, uma ligação interubana trouxe a ela lembranças boas.
Depois da terceira ligação, ele sumiu mais uma vez.
Sem esperanças, acreditando que a distância impossibilitaria qualquer continuidade, ela foi esquecendo.
Eis que um belo dia, poucos meses depois, ele liga a trabalho, e conversa como se eles nunca tivessem se conhecido.
Ela entende tudo, e se acha uma bobinha por ter achado que aquilo tudo significou alguma coisa.
Até quando ela vai sonhar, sem perceber que as histórias se repetem?
Quando as coisas não dependem da gente e insistimos em tentar fazer dar certo, o resultado é desastroso.
Aquela sensação de impotencia, de tempo perdido, de querer punir os que poderiam ter feito mais…
Aí o tempo passa, a gente vai acumulando esse tipo de experiência, ficando com aquela descrença comum na maioria, e só investindo em sonhos quando eles estiverem dentro do alcance das possibilidades.
Em que momento a gente descobre qual o momento certo de recuar?
Será que sonhar com um mundo melhor é proibido aos adultos? Será que sentir a dor dos outros está demodè? Será que o ser humano não pode ser humano?
Eu gosto de ser humano
Ser humano só é bom quando é humano
O ser, quando não é humano, não serve pra ser
Ele só quer ser
Mas no fundo
Nem sabe de verdade como é
Impressionante como pequenas coisas, que inicialmente parecem insignificantes, se tornam insuportáveis com o passar do tempo.
Eu conheço uma mulher que toda vez que conta uma história que ela julga engraçada e as pessoas não riem repete três vezes, como se as pessoas não tivessem entendido. Seis meses vendo essa cena se repetir a vontade que dá é de jogá-la pela janela.
Quando a gente deixa de ser criança e precisa começar a encarar o mundo (sur)real, esse tipo de situação acontece com uma frequência bem maior. O pior é que exatamente nesse momento começamos a perceber que nem sempre dá pra se livrar das pessoas ou das esquisitisses delas. Aí é um tal de tentar ignorar daqui, contar até mil dalí pra ver se o tempo passa e aquele trambolho sai da sua vida.
Saber lidar com isso não é muito comum. As pessoas vão engolindo por não ter opção e de repente explodem no momento mais errado, provocando situações constrangedoras para si mesmas. O álcool costuma ter participação especial nessas horas. Se não for assim é pior, a pessoa vai guardando por anos, e depois morre enfartado com 40 anos ou descobre um câncer sem motivo aparente.
E ai? Como lidar com isso sem destruir a vida social nem a saúde? Como lidar diariamente com os sapos?